quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Ninjas e Revólveres

Cacetadas na cabeça, armas de brinquedo, lutinhas, lutinhas e mais lutinhas. Quando engravidei de um menino, uma das idéias mais broxantes, para mim, era saber que agora chegara a minha vez de passar por essa fase tão chata e tão desinteressante da infância humana - fase que eu sempre desdenhei, com alegria, ao haver dado a luz a uma menina. Lero lero! Via as mães no parquinho aturando seus meninos correndo na frente dos carros e brincando, hiperativos, de lutinhas ad eternum, pulando e se espatifando no chão, berrando, cobertos em hematomas, enquanto eu observava minha menina calminha tentando aperfeiçoar uma equilibrada na muretinha, envolucrada em seu incessante e fofo falatório. Colecionando, concentrada, pedregulhos, ou colhendo dentes-de-leão e cantando músicas nonsense para si mesma. Ah... the joy... Seria essa calmaria boa interrompida pelo mais novo ninja em minha família?

Ontem fui a um seminário na escola da minha filha intitulado "Os meninos precisam mesmo lutar?", ministrado por uma mestra em educação Waldorf, uma senhora dinamarquesa chamada Helle Heckmann. "A atividade humana passou por grandes transformações ao longo dos séculos", explicou ela, "e o trabalho físico e a atividade com as mãos foram sendo perdidos. Ninguém hoje sova o próprio pão, corta a própria lenha para o fogão, cultiva o próprio grão, caça o próprio animal. Mas isso sempre fez parte do propósito humano e da experiência de satisfação pessoal das pessoas. As crianças cresciam felizes ao ajudar a família com as atividades de subsistência, exercitando-se, aprendendo, e respirando ar puro no processo". Ela acredita que os homens têm dentro de si um senso de propósito relacionado ao trabalho físico e de transformação do ambiente - o "arquétipo masculino": aquele que anda pela floresta carregando um monte de lenha pesada num ombro e um par de lebres no outro.

Ela é dona de uma escolinha Waldorf na Dinamarca, e nos contou várias histórias relacionadas ao comportamento dos meninos mudando quando ela, depois de anos trabalhando apenas com funcionárias do sexo feminino, contratou um professor homem. "Os meninos passaram a finalmente querer aprender a cortar a lenha para nosso aquecedor quando viram o Enzo, suado, com o machado na mão - mesmo havendo visto durante anos as professoras mulheres fazendo a mesma atividade".
Aprendendo com os exemplos. Um dos pais presentes na palestra ilustrou esse conceito contando que só consegue fazer o filho pré-adolescente "falar" com ele, no sentido de se abrir mesmo, quando pai e filho estão tomando parte em alguma atividade física juntos. Também presente estava um casal lésbico, mães de um menino, que levantou a importante questão: "Mas e quando não há pai em casa?". A dona Heckmann sugeriu que não é necessário haver um membro do sexo masculino na casa - "contanto que você ofereça atividades de teor físico para fazer junto com seu filho: carregar coisas, mover coisas, ou mesmo um cooper pelo parque". Eba! Finalmente terei um ajudante (querendo ele ou não, mwahahaha) para aqueles pesados cestos de roupa, já que tenho que descer e subir 2 andares até minha máquina de lavar roupa!

Mas e o brincar de luta? Concluiu-se que isso vem justamente desse vazio que ficou depois que as sociedades humanas foram perdendo as atividades de subsistência, o "fazer" com as mãos e o corpo, juntamente com influências da mídia - os meninos ficaram desnorteados e sem "propósito", sem maneiras de canalizar sua energia física.



Depois todo mundo começou a debater sobre revólver de brinquedo e se tudo bem ou não brincar com esse tipo de brinquedo. Na pedagogia Waldorf, o brincar com armas de brinquedo é permitido, porém com armas do tipo arco e flecha, espada e escudo de madeira, estilingue, etc. Uma mãe retrucou, "mas esses brinquedos todos machucam de verdade, e um revólver de brinquedo não, por isso é bem melhor!", no que um pai respondeu - e veja que eu nem tinha pensado nisso antes - que a idéia é isso mesmo: com armas que machucam mesmo, a criança aprende a exercitar a empatia para com o outro já que sabe o quanto dói levar uma cacetada de espadinha de madeira na cabeça, e aprende a brincar com cuidado e respeito. O revólver, pelo contrário, oferece uma brincadeira impessoal, inconsequente, e abstrata, e que obviamente não ensina o real impacto de manipular uma arma de fogo. Além disso, o revólver, ao contrário das medievais espadas e arco-e-flecha, carrega uma carga e um histórico social atual bastante negativo, e que, nesse sentido, os pais que não permitem aos filhos "brincar" com essa idéia triste têm razão. Sei que algumas de vocês mamis por aí permitem aos filhos brincar de revólver, mas aqui nos Estados Unidos a arma de fogo é comum tanto quanto são comuns as notícias de crianças loucas entrando na escola e matando um monte de gente. Isso é uma ferida aberta por aqui, e as mães e pais têm algumas reservas.



Enfim. E vocês? Como canalizam a energia física dos seus meninos?
Deixam que brinquem de atirar nas pessoas?

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Antídoto Para Dia Uó



.... que é pra olhar quando:

- aquela tão-sonhada (como diria o Bozo) promoção e aumento salarial é dado não à candidata mais experiente; com cinco anos de empresa; que implementou, com sucesso, várias idéias novas; que é pobre com dois fio prá criar -ou seja, moá! - e sim é dada ao amiguis de balada da chefe (e roommate), bem menos experiente e esbanjando... timidez, que anda arrastando o pé e que ninguém nem sabe o nome.

Pois é.

E também olha-se a foto após receber o Hollerith e notar, broxada ao cubo, que o governo roubou cem suados dólares do salário alheio por causa de imposto atrasado adivinhem de quem - isso mesmo, do maridoooo!!! Que é freela e não recebe Hollerithhhh!

É como eu sempre digo - é nesse momento que eu me expresso usando a máxima da interjeição filosofal brasileira contemporânea:

TICATÁ!!!

E olha-se também após morrer de vergonha do piti dado pela amiga neurótica no meio de uma festa enorme de Halloween que se está dando, porque alguém foi socorrer o bebê chorante da amiga neurótica e ela se depara com um berço vazio e, sem antes averiguar pela festa, cheia de mães, se alguma delas pegou o bebê, dá um chilique choroso de joelhos no chão, vestida de Olívia Palito, porque "meu bebê morreu! Meu bebê morreu!" (?).

Yep.

Que o Ian tá aqui pra me lembrar que, apesar de tudo isso, vale a pena caminhar adiante, de cabeça erguida e um sorriso no rosto, acreditando que o fim da tempestade chegará. Depois da chuva, sempre vem sol.

My baby boy... Onde é que eu enfio tanto amor?

sábado, 31 de outubro de 2009

Mães natureibas

Não, não. Não é bem o que você deve estar pensando...porque infelizmente eu sou uma mãe bem junkie (diferentemente da Isabella que é a nerd mais sensata em se tratando de alimentação natureba), mas a questão mesmo é que soy lôka pelos exemplos de amor e cuidados maternos da natureza!

Ontém fiquei pesquisando imagens de diversas espécies de macacos no google com meu filho (sim, ele é louco por macacos, seu apelido na escola é Michel Macaco - com muito orgulho - e ele sabe TUDO sobre o bicho, in-crí-vel!), o que me deixou emocionada com algumas fotos de macaquitas lindas com suas crias. Repare como tem macaca que é melhor mãe do que muita tchonga por aí:



Bonobo, o macaco mais evoluído e que adora sexo (e sim, uma coisa tem relação com a outra, hehe).



Chimpanzé...nós amávamos Koko (veja o documentário).



Gorila com jeito de vovó quando vai conhecer o neto (a) na maternidade.



Indri (não Cristo) e seu filhote quase gêmeo. Estão assistindo TV em cima dos galhos, tipo a gente no sofá.





Mandril, meu macaco preferido. OLHA ESSE NARIZ, É HIPNÓTICO!



Mico (o nome não é à toa) leão dourado - tipo qd a gente passa por uma má experiência com a água oxigenada no volume errado.



Sagui leãozinho, no melhor estilo metaleiro dos anos 80 - esse macaco é duróqui.



Xanadú-toda-grávida-sem-saber na balada com o pessoar da firrrma, espécie nada em estinção.

Macacolândia, que tal se a gente desencanar um pouco da depilação (pelo menos na gravidez e lactação, vaaaaaaaai)? Vamos deixar a mãe natureza e sua sabedoria sobre nossos corpos agir a sua maneira! E que se danem as depiladoras, aquelas sadomazocas que adoram nos ver em posições constrangedoras e ainda ficam com nosso dinheiro no fim da sessão...ah, vá!

domingo, 25 de outubro de 2009

Yô uow man no cry



Às vezes o entorno faz seus maiores sonhos parecerem uma grande ilusão de ótica do lixo humano que é a vida. Desânimo puro depois que fiquei sabendo do meu direito à 4 míseros meses de licença maternidade (Plus one de férias que não sei se tiro no oitavo - quando minha barriga já estará a ponto de explodir e eu serei praticamente uma ameba não ambulante - ou se deixo prá mais um mês de curtição e amamentação delícia da prole).

EU QUERO AMAMENTAR DIREITINHO MEU PRÒX FILHO (A), CARAMBA! O que há de tão errado nisso? Quem tá certo? Quem vai levar a vantagem final? Meu trampo que vai atrapalhar a boa vinda de uma nova vida ou eu que quero porque quero e bato o pé e bato na tecla quantas vezes forem necessárias até entenderem que REPRODUÇÃO é MUITO MAIS TUDIBÂO que PRODUÇÂO!

Tô na sinuca de bico. Largo tudo e fico na aba do pai-trocínio (um tanto nada combinante com meus 30 anos) ou deixo de amamentar minha cria aos seus imaturos 4 meses de vida porque terei que passar mais de 8 horas no processo de produção a que conhecemos como mercado (ODEIOISSO) de trabalho? Tá achando que alguma mulher consegue tirar leite de 3 em 3 horas escondida num banheiro ou na copa dos funcionários e estocar corretamente prá alimentar a pobre criança no dia seguinte? Bom, mesmo que isso seja fisicamente possível já perdemos a melhor parte da amamentação: colo, carinho na cabeça, cafuné no cabelo, olho no olho, palavrinhas carinhosas e piadas internas, etc e assim por diante.

VIDA BANDIDA!

E um último recado da semana: "Take the hands of" (vou fazer a camiseta: tire a mão da minha barriga!Missão urgente, sérious!), eis o nome do polêmico livro que chega ao mercado sobre mitos idiotas correlacionados à maternidade. O melhor mito desvendado: durante a gravidez a mudança de humor da mãe não se dá somente por culpa dos hormônios (toma machinhos, 10 X 0, rárá), e sim por questões muito mais muito mais óbvias tais como a complexa rede de diversos valores psicológicos, biológicos e SOCIAIS (hostilidade para com as grávidas? Maaaaaaaaaaaaaagina, outro dia enquanto eu travessava a rua um idiota até acelerou prá ver se eu ia mais rápido, tive que mandar ele enfiar seu carrinho de bost* no c*, tô super educada também!).

TEM MUITA COISA PRÁ GENTE RECLAMAR E ENQUANTO FICAREM BOTANDO A CULPA NOS NOSSOS HORMÔNIOS ISSO NÂO VAI AJUDAR, então mis amis vamos arregaçar as mangas e gritar muito alto porque esse mundo tá todo errado e nóis é mãe brasileira e vamo pegá prá capá!

Falow então, hein?

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Medo de mudança



Meu filho, de uns tempos prá cá, começou a comer menos, dormir muito durante a tarde e se queixar de mil dores aqui e ali. Fora a política recém instituída do "não quero mais ir prá escola", sem causas muito bem definidas (não que ele não seja um garoto com incrível inteligência emocional, porque isso ele é, mas a coisa tava um tanto relapsa em se tratando até mesmo de argumentação pessoal)...foi quando fiquei sabendo que ele frequentava bastante a enfermaria da escola e eis que numa conversa com a enfermeira da mesmo veio a iluminação: ele está com medo da mudança na vida com a bemvinda da nova criatura na prole nuclear.

Sabia que criança também entra em depressão? SE LIGA que a coisa é séria!

Poiszé, eu adoro a sensação da mudança, é como o tempo fechado antes de um temporal: as pessoas correndo prá se abrigar, o céu ficando pesado e escuro, a humidade levantando meus fios elétricos do cabelo palha-loiro-tingido...se eu tô na chuva é prá me molhar e é isso que eu quero de experiência na vida dos meus filhos! A xente tudo entrando de cabeça nas novas novidades, pero sem perder la ternura de la essência de cada uno! Combinado?

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Dinheiro Traz Felicidade

Pode parecer materialismo da minha parte, mas vou já logo dizendo: dinheiro traz felicidade, sim. Quem acha sou eu e mais um bando de psicólogos da Universidade de Leicester, na Inglaterra, em cujo estudo baseou-se este artigo aqui.

Encontrei o tal artigo porque ando, com veemência desesperada, tentando, perante aos avós e sogra gringos, defender minha opção de educar meus filhos na pedagogia Waldorf. E deparei-me com a lista dos países mais felizes (Dinamarca, Suíça, Islândia, etc), onde a educação pública mais se espelha na pedagogia Waldorf. Porque eu mesma, bom exeplo da pedagogia, não sou: caí fora da faculdade (mesmo depois retomando), tive filhos "cedo", "fugi" de casa (para os Estados Unidos, beibe!)... Ainda por cima, sou punk e feminista! Cruzes!

Mudando de assunto, vou logo fofocando que a maravilhosa, fabulosa, increíble senhora Carolina Pfister - aquela que encantou muitas juventudes aqui do blog como cantora famosézima da finada banda campinense No Class - está grávida. Gravidíssima, aliás, já que trata-se de gêmeos! Puf puf puf! Têm pique pra isso, galera? Eu super não tenho, mas é que eu tô meio de ressaca mesmo. Parabéns, Carol, e bem-vinda ao mundo das pessoas mais admiráveis do planeta: as mães brasileiras!!!

Agora com licença, vou checar o arroz e feijão da janta! Fui!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

SFW *

E daí que eu adoro ser mãe? Com que direito sobre suas escolhas todo resto da humanidade acha que pode controlar sua fertilidade?

Perguntas do tipo:

- Não conhece a camisinha, Ane?

São das mais comuns ultimamente sob meus pobres ouvidinhos cansados!

Ai, que preguiça! Será que as pessoas não se tocam de que algumas mulheres gostam de ter filhos e que isso faz parte de seus planejamentos de vida? Por que essas mesmas pessoas também comentam preconceituosamente que mulheres pobres não deveriam ter muitos filhos por uma questão econômico/demográfica, a velha discussão produção X reprodução, coisinha chata e beeeeem capitalista entediante (aliás muito mal embasado tal argumento porque inumeras pesquisas demonstram a não influência da quantidade populacional na escassez ou não de alimentos, etc e tal...)?

Então vamos mudar o disco da vitrola que essa faixa riscada não faz sentido prô povo materno daqui. Se a idéia é disfarçar sua falta de vontade diante da reprodução humana fique sabendo que vc tem todo direito disso, contanto que não tente atrapalhar a felicidade alheia...que aliás essa tentativa por aqui nem vem nem vai, ou melhor vai em vão e *SO FUCKING WHAT!